domingo, 30 de janeiro de 2011

Sonho de familia


Há tempos não tinha aquele sonho. Tanto tempo que achei que apenas fosse minha imaginação pregando peça em mim mesmo, coisas de criança.
Quando, naquela noite fui me deitar, ao lado da minha esposa, tive um pressentimento ruim. Logo a chamei e disse que iria trabalhar até na sala, dando a desculpa de que tive uma inovadora idéia para a campanha da nossa pequena empresa.
Com essa desculpa tentei ao máximo não dormir, tentei realmente trabalhar, tomei litros de café, tudo o que se imagina, quando o sono veio, sorrateiramente, se espalhando pela sala como se fosse uma nuvem de gás.
Não tive como escapar, cai em sono profundo de uma vez. Como muitos devem saber nós sonhamos apenas no final da noite, porém esse sonho que tenho é diferente, ele começa no inicio da jornada do sono. Começa comigo andando, por um lugar cheio de pessoas que me olhavam com asco, parecendo que eu tinha algum tipo de doença, ou que eu talvez não fosse daquele local.
Então depois que tanto andar, eu chego a um enorme castelo, alguma coisa me dizia que eu tinha que entrar naquele castelo, porem eu estava em um sonho, como posso ter certos “conflitos internos”, nós nos sonhos somos movidos apenas pelos instintos, como se nós voltássemos a ser algum tipo de troglodita de cérebro reduzido, que apenas faz!
Entrando no castelo a atmosfera do sonho muda completamente. Ele começa a se tornar sombrio, sentia frio, olhava os quadros, era fotos de pessoas mortas, um costume das pessoas da Idade Média, então subindo a longa escada, vejo que a minha foto estava em um daqueles quadros, e que nele tinha uma data quatro dias após o sonho.
Quando me aproximo desse quadro, simplesmente sou acordado pela minha esposa dizendo que devemos ir trabalhar. No trajeto minha esposa me conta que está grávida de três meses, eu sem reação digo a ela que pena que não poderei conhecer a criança, ela me pergunta o porquê, e eu digo que eu tenho um dom especial para prever a morte das pessoas, e eu previ a minha própria!
Ela começa a gargalhar dentro do carro, e foi até chegarmos ao nosso trabalho, uma pequena empresa de turismo, temos privilégios em locais históricos da cidade por causa do meu sobre nome, meus antepassados fundaram aquela cidade, porem estranhamente, nenhum dele conhecia o próximo herdeiro, eu sempre achei que isso fosse coisa idiota do povo, eu me lembro do meu pai, ele até me ensinou a dirigir.
Os dias passaram chegou o quarto dia – após o sonho – e eu continuava a ter o mesmo sonho todas as noites, subia a grande escadaria, e encontrava a minha foto com a data, tentava arrancar aquele quadro de lá mas era em vão, nesse dia lembro que era uma noite fria, e que eu esqueci a janela da sala aberta, a brisa que entrava por ela parecia inofensiva, porem trazia um vírus que me matara ao final do dia, o quarto dia. Meu pequeno recebeu um bilhete que eu disse para entregar-lhe quando fosse maior e entendesse, assim que ele reclamasse para a mãe que tivera um sonho ruim, ela deveria entregar o bilhete com os dizeres:
“Encontre-me em seus sonhos, no alto da escadaria.”